Sobre o Culto Cristão

Não é novidade para ninguém que eu sou um crítico fervoroso das práticas evangélicas atuais. Há quase três anos eu faço minhas críticas através deste blog. Alguns concordam, outros discordam; alguns gostam, outros não.
Sempre procurei me expressar de forma sarcástica, com bom humor. Fundamentalismo nunca combinou com meu jeito de ser. Tenho pavor de parecer um adulto intransigente que só sabe criticar duramente as coisas, ou, como se diz entre os evangélicos, “descer o cajado”. Tenho 23 anos, mas gosto de escrever como criança. Já viu como as crianças fazem perguntas perspicazes, intimidadoras e constrangedoras aos adultos como se fossem a coisa mais normal do mundo? É mais ou menos assim que me sinto quando escrevo algum texto criticando os evangélicos. Como uma criança que chega ao pai e pergunta por que sua mãe estava gemendo na noite anterior.
Mas o Eliel da vida real é bem diferente do Eliel da internet. Na vida real eu sou bem mais calado, raramente faço piadas e de certa forma me contenho para fazer minhas críticas. Alguns domingos atrás eu tive vontade de chegar até uma irmã do grupo de louvor e perguntar por que ela cantava parecendo um bode, mas obviamente não tive coragem (as críticas às vezes podem machucar as pessoas).
Minha postura em uma reunião cristã (culto) também é muito pessoal. Como eu não compactuo com os caminhos evangélicos – com o jeito pelo qual eles conduzem as coisas – é difícil à minha pessoa fingir estar participando de tudo o que está sendo ministrado ali.
Desde que eu sou criança (eu me lembro que desde os 7 anos eu tenho esta percepção) eu observo que o “período de louvor” é tudo, menos um período de louvor a Deus. Se você olha para o lado, você vê pessoas olhando para o relógio, olhando para o teto, olhando a bunda de uma irmã, coçando a cabeça com impaciência, e outras viajando na maionese. Percebe-se em algumas pessoas a tentativa de lutar para tentar acreditar naquilo que elas estão cantando, elas literalmente fazem força – cerram os olhos e cantam com força – tentando deixar de lado as preocupações, o ceticismo que elas têm ou a verdade de que tudo o que elas estão cantando não é verdadeiro.
Eu já escrevi em outro texto: ao invés de cantar que eu estou apaixonado por Deus, eu prefiro pensar comigo em o que posso fazer para tornar isto verdadeiro em minha vida. Eu tenho uma opinião pessoal de que não agimos com sabedoria quando fazemos pedidos a Deus (ainda vou escrever um texto sobre isto), então, não me sinto à vontade catando músicas que trazem pedidos (a maioria é assim). Eu prefiro ser honesto e não cantar algo que não exprima minha realidade (eu realmente não quero que Deus mexa nas minhas estruturas, não quero ficar aleijado) do que fingir e ser hipócrita.
Isso para não falar da falta de criatividade e, por que não, da falta de biblicidade das músicas cristãs atuais, que enfocam apenas o que Deus pode fazer pelo homem, não o que Ele é.
As pregações também são um não-atrativo nos cultos. Com raríssimas exceções (e quão boas são estas exceções!), as pregações são antropocêntricas, irreais, sem criatividade e, não raro, falam sobre o Diabo, Inferno, etc. Até pouco tempo atrás eu fazia uma brincadeira com minha namorada. Toda vez que o pregador falava sobre o Diabo eu cutucava ela e falava “tá vendo?”. E o engraçado era que toda semana, toda noite de domingo, isto acontecia.
Eu nunca vi ter tanta obsessão com o Diabo igual os Evangélicos. Palavras como “trevas”, “inferno”, “satanás”, “diabo” e “potestades” são ditas com uma freqüência muito maior do que a freqüência de suas aparições na Bíblia. Os evangélicos têm uma fobia por perseguição. Acham que o mundo inteiro os persegue, como se todo mundo vivesse em função deles.
Sobre o Inferno, eu realmente não entendo como um povo que diz acreditar em um Deus de amor consegue ter tanta obsessão por um lugar como o este. Prega-se sobre o Inferno para amedrontar as pessoas, e convertê-las pelo medo, como se Deus quisesse que as pessoas o seguissem pelo medo. Em alguns momentos eu acho que os evangélicos sentem prazer em saber que existe um lugar como o Inferno onde os ímpios e pecadores (como se os cristãos não pecassem) vão queimar e sofrer por toda eternidade. Um exemplo clássico (pouco conhecido no Brasil, aliás) é o do pastor americano Fred Phelps. O site da sua igreja (clique aqui para conferir) trás menções como “Deus odeia bichas e quem as ajuda”, “Obama é o anti-Cristo”, “Obrigado a Deus pela AIDS” e assim que você entra no site um contador começa a disparar, dizendo quantas pessoas começaram a sofrer no Inferno desde que você acessou o site. Desde que eu acessei o site (algo em torno de 2 minutos), por exemplo, 512 pessoas começaram a sofrer no Inferno de acordo com o site do pastor Phelps.
Em escala muito menor (mas ainda assim existente), os evangélicos continuam com suas menções ao Inferno, como se tais menções fossem necessárias e frutíferas à prática do culto cristão.
Esta semana me fizeram a seguinte pergunta: mas então Eliel, como um culto deve acontecer em sua opinião?
O problema em questão já se torna evidente já na leitura da pergunta. Não existe uma forma como o culto deve acontecer. Jesus nunca exigiu que o adorássemos em um Templo como os judeus faziam. Ele exigiu, sim, que amássemos a Deus e ao nosso próximo, mas é necessário freqüentar igreja para isto? Aliás, enquanto estamos dentro de uma igreja existem pessoas nas ruas precisando de ajuda e amor. Enquanto estamos nas igrejas negligenciamos a ordem de amor ao próximo. As igrejas evangélicas brasileiras arrecadam aproximadamente 12 bilhões de reais por mês no Brasil e se 10% disto for investido em benefício para a sociedade, é muito. Prefere-se investir em mais igrejas, mais templos, mais pastores recebendo salários, mais programas de TV, mais “Cruzadas Proféticas”, mais coisas fúteis.
O problema em questão, não é que o “jeito” do culto não me agrada. O problema é exatamente existir o culto, a reunião, o ajuntamento. Os evangélicos falam que os templos são apenas quatro paredes e que estar lá não é garantia de salvação, porém, se alguém deixa de ir nas “quatro paredes” os irmãos começam a orar para Deus trazer este alguém de volta. E fazem isto não por saudade, mas por acreditar que esta alguém vai para o Inferno se morrer hoje.
Não existe um “jeito” de cultuar a Deus. Eu faço isto em minha casa, sozinho, enquanto estou no ônibus, enquanto leio, enquanto estudo, enquanto escrevo. Eu levo totalmente ao pé da letra o versículo que diz que “quando você orar, vá para seu quarto, feche a porta e ore ao seu Pai, que está em secreto” (Mateus 6:6).
O próprio respirar é um ato de adoração a Deus, é gratidão pelo presente que nos foi dado. Existem pessoas que acham necessário se reunir para adorar a Deus. Tudo bem, que Deus as abençoe. Mas por que isto deve ser uma regra?
O estranho, porém, eu admito, é que eu sinto falta de estar em um culto quando fico sem ir. A razão eu não sei explicar bem, mas sinto falta quando não vou à igreja. Ainda estou refletindo sobre esta questão e não tenho ainda uma resposta definida. Talvez Deus deseje de fato que nós O adoremos em grupo, em conjunto, mas, se assim for, uma família que faz o culto em casa não estaria adorando a Deus também e não seria assim dispensável a ida à igreja?
Talvez a igreja seja algo necessário, mas ela é ao mesmo tempo um lugar desagradável (a mim pelo menos). A igreja evangélica já foi um lugar bom para se ir, um lugar de aprendizado, um lugar de comunhão, um lugar de unidade, mas isto foi lá pelo início dos anos 90, não é mais. A igreja evangélica seria um lugar muito mais agradável se os presentes não se considerassem super-santos com direito de julgar os demais; a igreja evangélica seria um lugar muito mais agradável se ela dissesse NÃO! ao mercado gospel idiota, que copia as coisas que não prestam do mundo (as piores possíveis, como podemos observar); a igreja evangélica seria um lugar muito mais agradável se as pregações fossem mais bíblicas, mais simples, sem pseudo-intelectualismo (já ouvi em uma pregação que os filósofos estão discutindo sobre como mudar de planeta viajando através de naves espaciais), sem lobby, sem dogmatismo.
E aqui convém mencionar um trecho de uma carta de C. S. Lewis ao seu amigo Malcolm:
Faço minhas também as palavras de João Alexandre: a Teologia Evangélica atual possui 10 quilômetros de extensão, mas 1 centímetro de profundidade (fonte). Se fosse mais profunda, se tivesse raízes bem fundamentadas, certamente não cairia aos primeiros ventos de doutrina.
Quanto a mim, sigo do jeito que estou indo, buscando (sem sucesso) pontos de convergência entre a igreja evangélica atual e meios anseios espirituais. Espero que a igreja evangélica volte ás suas raízes protestantes. Até lá não calarei minha boca, ou melhor, meus dedos.
(Ahhh, esqueci de fechar o site da igreja do pr. Phelps, e até este momento 16415 pessoas começaram a queimar no inferno desde que eu acessei o site. É melhor eu fechá-lo para evitar que mais pessoas comecem a queimar lá)
Eliel Vieira
eliel@elielvieira.org
-
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DESCONSTRUINDO por Eliel Vieira está licenciado sob Creative Commons Attribution.
Sempre procurei me expressar de forma sarcástica, com bom humor. Fundamentalismo nunca combinou com meu jeito de ser. Tenho pavor de parecer um adulto intransigente que só sabe criticar duramente as coisas, ou, como se diz entre os evangélicos, “descer o cajado”. Tenho 23 anos, mas gosto de escrever como criança. Já viu como as crianças fazem perguntas perspicazes, intimidadoras e constrangedoras aos adultos como se fossem a coisa mais normal do mundo? É mais ou menos assim que me sinto quando escrevo algum texto criticando os evangélicos. Como uma criança que chega ao pai e pergunta por que sua mãe estava gemendo na noite anterior.
Minha postura em uma reunião cristã (culto) também é muito pessoal. Como eu não compactuo com os caminhos evangélicos – com o jeito pelo qual eles conduzem as coisas – é difícil à minha pessoa fingir estar participando de tudo o que está sendo ministrado ali.
Desde que eu sou criança (eu me lembro que desde os 7 anos eu tenho esta percepção) eu observo que o “período de louvor” é tudo, menos um período de louvor a Deus. Se você olha para o lado, você vê pessoas olhando para o relógio, olhando para o teto, olhando a bunda de uma irmã, coçando a cabeça com impaciência, e outras viajando na maionese. Percebe-se em algumas pessoas a tentativa de lutar para tentar acreditar naquilo que elas estão cantando, elas literalmente fazem força – cerram os olhos e cantam com força – tentando deixar de lado as preocupações, o ceticismo que elas têm ou a verdade de que tudo o que elas estão cantando não é verdadeiro.
Eu já escrevi em outro texto: ao invés de cantar que eu estou apaixonado por Deus, eu prefiro pensar comigo em o que posso fazer para tornar isto verdadeiro em minha vida. Eu tenho uma opinião pessoal de que não agimos com sabedoria quando fazemos pedidos a Deus (ainda vou escrever um texto sobre isto), então, não me sinto à vontade catando músicas que trazem pedidos (a maioria é assim). Eu prefiro ser honesto e não cantar algo que não exprima minha realidade (eu realmente não quero que Deus mexa nas minhas estruturas, não quero ficar aleijado) do que fingir e ser hipócrita.
Isso para não falar da falta de criatividade e, por que não, da falta de biblicidade das músicas cristãs atuais, que enfocam apenas o que Deus pode fazer pelo homem, não o que Ele é.
As pregações também são um não-atrativo nos cultos. Com raríssimas exceções (e quão boas são estas exceções!), as pregações são antropocêntricas, irreais, sem criatividade e, não raro, falam sobre o Diabo, Inferno, etc. Até pouco tempo atrás eu fazia uma brincadeira com minha namorada. Toda vez que o pregador falava sobre o Diabo eu cutucava ela e falava “tá vendo?”. E o engraçado era que toda semana, toda noite de domingo, isto acontecia.
Eu nunca vi ter tanta obsessão com o Diabo igual os Evangélicos. Palavras como “trevas”, “inferno”, “satanás”, “diabo” e “potestades” são ditas com uma freqüência muito maior do que a freqüência de suas aparições na Bíblia. Os evangélicos têm uma fobia por perseguição. Acham que o mundo inteiro os persegue, como se todo mundo vivesse em função deles.
Sobre o Inferno, eu realmente não entendo como um povo que diz acreditar em um Deus de amor consegue ter tanta obsessão por um lugar como o este. Prega-se sobre o Inferno para amedrontar as pessoas, e convertê-las pelo medo, como se Deus quisesse que as pessoas o seguissem pelo medo. Em alguns momentos eu acho que os evangélicos sentem prazer em saber que existe um lugar como o Inferno onde os ímpios e pecadores (como se os cristãos não pecassem) vão queimar e sofrer por toda eternidade. Um exemplo clássico (pouco conhecido no Brasil, aliás) é o do pastor americano Fred Phelps. O site da sua igreja (clique aqui para conferir) trás menções como “Deus odeia bichas e quem as ajuda”, “Obama é o anti-Cristo”, “Obrigado a Deus pela AIDS” e assim que você entra no site um contador começa a disparar, dizendo quantas pessoas começaram a sofrer no Inferno desde que você acessou o site. Desde que eu acessei o site (algo em torno de 2 minutos), por exemplo, 512 pessoas começaram a sofrer no Inferno de acordo com o site do pastor Phelps.
Em escala muito menor (mas ainda assim existente), os evangélicos continuam com suas menções ao Inferno, como se tais menções fossem necessárias e frutíferas à prática do culto cristão.Esta semana me fizeram a seguinte pergunta: mas então Eliel, como um culto deve acontecer em sua opinião?
O problema em questão já se torna evidente já na leitura da pergunta. Não existe uma forma como o culto deve acontecer. Jesus nunca exigiu que o adorássemos em um Templo como os judeus faziam. Ele exigiu, sim, que amássemos a Deus e ao nosso próximo, mas é necessário freqüentar igreja para isto? Aliás, enquanto estamos dentro de uma igreja existem pessoas nas ruas precisando de ajuda e amor. Enquanto estamos nas igrejas negligenciamos a ordem de amor ao próximo. As igrejas evangélicas brasileiras arrecadam aproximadamente 12 bilhões de reais por mês no Brasil e se 10% disto for investido em benefício para a sociedade, é muito. Prefere-se investir em mais igrejas, mais templos, mais pastores recebendo salários, mais programas de TV, mais “Cruzadas Proféticas”, mais coisas fúteis.
O problema em questão, não é que o “jeito” do culto não me agrada. O problema é exatamente existir o culto, a reunião, o ajuntamento. Os evangélicos falam que os templos são apenas quatro paredes e que estar lá não é garantia de salvação, porém, se alguém deixa de ir nas “quatro paredes” os irmãos começam a orar para Deus trazer este alguém de volta. E fazem isto não por saudade, mas por acreditar que esta alguém vai para o Inferno se morrer hoje.
Não existe um “jeito” de cultuar a Deus. Eu faço isto em minha casa, sozinho, enquanto estou no ônibus, enquanto leio, enquanto estudo, enquanto escrevo. Eu levo totalmente ao pé da letra o versículo que diz que “quando você orar, vá para seu quarto, feche a porta e ore ao seu Pai, que está em secreto” (Mateus 6:6).
O próprio respirar é um ato de adoração a Deus, é gratidão pelo presente que nos foi dado. Existem pessoas que acham necessário se reunir para adorar a Deus. Tudo bem, que Deus as abençoe. Mas por que isto deve ser uma regra?
O estranho, porém, eu admito, é que eu sinto falta de estar em um culto quando fico sem ir. A razão eu não sei explicar bem, mas sinto falta quando não vou à igreja. Ainda estou refletindo sobre esta questão e não tenho ainda uma resposta definida. Talvez Deus deseje de fato que nós O adoremos em grupo, em conjunto, mas, se assim for, uma família que faz o culto em casa não estaria adorando a Deus também e não seria assim dispensável a ida à igreja?
Talvez a igreja seja algo necessário, mas ela é ao mesmo tempo um lugar desagradável (a mim pelo menos). A igreja evangélica já foi um lugar bom para se ir, um lugar de aprendizado, um lugar de comunhão, um lugar de unidade, mas isto foi lá pelo início dos anos 90, não é mais. A igreja evangélica seria um lugar muito mais agradável se os presentes não se considerassem super-santos com direito de julgar os demais; a igreja evangélica seria um lugar muito mais agradável se ela dissesse NÃO! ao mercado gospel idiota, que copia as coisas que não prestam do mundo (as piores possíveis, como podemos observar); a igreja evangélica seria um lugar muito mais agradável se as pregações fossem mais bíblicas, mais simples, sem pseudo-intelectualismo (já ouvi em uma pregação que os filósofos estão discutindo sobre como mudar de planeta viajando através de naves espaciais), sem lobby, sem dogmatismo.
E aqui convém mencionar um trecho de uma carta de C. S. Lewis ao seu amigo Malcolm:
E eles não vão à igreja para serem entretidos. Vão para consumir o culto, ou, se preferir, para encená-lo. Todo culto é uma estrutura de atos e palavras por meio dos quais recebemos um sacramento, ou nos arrependemos, ou suplicamos, ou adoramos. Permite-nos fazer tais coisas melhor – isto é, tudo “funciona” melhor – quando em razão de uma familiaridade antiga, não precisamos mais pensar. Quem presta atenção e conta os passos ainda não dança, apenas aprende a dançar. Sapato bom é aquele que passa despercebido do pé. A leitura torna-se prazerosa quando você não pensa mais nos seus olhos, na luz, na letra impressa, na grafia das palavras. O culto perfeito na igreja seria aquele que transcorresse quase de forma imperceptível para nós, porque nossa atenção estaria voltada para Deus.
Faço minhas também as palavras de João Alexandre: a Teologia Evangélica atual possui 10 quilômetros de extensão, mas 1 centímetro de profundidade (fonte). Se fosse mais profunda, se tivesse raízes bem fundamentadas, certamente não cairia aos primeiros ventos de doutrina.
Quanto a mim, sigo do jeito que estou indo, buscando (sem sucesso) pontos de convergência entre a igreja evangélica atual e meios anseios espirituais. Espero que a igreja evangélica volte ás suas raízes protestantes. Até lá não calarei minha boca, ou melhor, meus dedos.
(Ahhh, esqueci de fechar o site da igreja do pr. Phelps, e até este momento 16415 pessoas começaram a queimar no inferno desde que eu acessei o site. É melhor eu fechá-lo para evitar que mais pessoas comecem a queimar lá)
Eliel Vieira
eliel@elielvieira.org
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DESCONSTRUINDO por Eliel Vieira está licenciado sob Creative Commons Attribution.
10 comentários:
Eliel,
14 de novembro de 2009 18:38Li seu texto, e estou muito feliz de saber que não estou só. Mas ao mesmo tempo estou triste.
Atualmente tenho alguns questionamentos, assim como você, que, muitas vezes, não consigo fazer abertamente.
Só que suas perguntas estão relacionadas ao culto, a minhas, relacionadas ao significado do cristianismo e do evangelho para mim. Meu problema é que, apesar de ter 23 anos e estar na igreja desde que nasci, tenho me sentido frustrado em relação á igreja.
Fazer essas perguntas geralmente é embaraçoso, nunca sabemos como perguntar sem deixar a impressão de que alguma coisa errada está conosco. Noutras vezes quando conseguimos perguntar, as respostas que recebemos são vazias, meio evasivas, sem muito sentido, e terminamos aceitando-las fingindo que foram satisfatórias.
Na verdade não tenho coragem de fazer muitas outras perguntas. É vergonhoso estar na igreja há tanto tempo e ter dificuldades de um recém-convertido.
Entretanto, diferentemente de você, comecei a refletir depois que li um livro chamado “Por que você não quer mais ir a igreja?”, lançado neste ano pela editora Sextante à alguns meses atrás. Este livro, se você for constatar, trata de dessas questões, tanto das minhas quanto da suas.
Se você pudesse lê-lo, creio que ele poderia lhe ajudar. E se você pudesse comentar sua opinião depois, creio que poderíamos ajudar uns aos outros, pois tenho certeza que existem muitos outros com situações semelhantes as nossas, mas não tem coragem de declarar em publico suas perturbações.
E um Blog, como este, é justamente o lugar onde as pessoas saem de seus esconderijos e falam com franqueza aquilo que sentem.
Desde já agradeço a oportunidade de estar opinando, como também agradeço à Deus por pessoas sinceras como você.
Parabéns pelo Blog e por sua iniciativa.
Se tu puderes, compra o livro de que falei.
Obrigado.
Olá. Òtimo texto.
15 de novembro de 2009 12:12A Igreja tem a oportunidade de participar do futuro (J. Moltmann), não há outro meio, por mais que tenhamos problemas. Foi assim na construção do Templo em Jerusalém, a princípio Deus não queria, mas depois que Salomão o fez, a Glória de Deus invadiu o lugar.
Como pastor batista sinto a dificuldade da liturgia, que seja contemporânea e dinâmica, mas isso é um processo.
Dê uma olhada no meu blog COMPARTILHANDO (wwwibmi.blogspot.com) e se possível divulgue no seu blog. São textos que fazem uma releitura do protestantismo.
ola meu querido amigo
16 de novembro de 2009 07:54seu texto é oportuno e verdadeiro , mas nao totalmente verdadeiro no sentido biblico e sim na sua verdade.
tirando algumas partes um tanto quando desnecessarias,eu ate gostei..
O que vc diz nao é nada novo, mas o que mais me chamou atençao foi a pergunta de seu amigo, de como vc via que deveria ser o culto, ao que vc disse mas nao disse, ou melhor, se confundiu. Ao que talvez seria mais pratico citar a propria biblia em 1 corintios 14 que diz: Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação.
Nao tem nada contra reuniao nem encontros, mas existe sim uma ordem: que todos participem da forma citada por paulo...
talvez sua critica tenha sido ao lugar desses encontros, e é ai que ao meu ver os irmaos evangelicos pecam, achando que o templo é um lugar santo e tal..um erro basico para religiosos que nao entendem que o templo somos nós...
forte abraços
Olá Eliel,
17 de novembro de 2009 09:52lembrei do episódio do Chaves, em que cada vez que se respira morre um chinês.
Eu ainda vejo que, logo mais a frente, com o aumento do nível de inclusão educacional do povo, as igrejas irão recrudescer na lavagem cerebral pois só incutindo medos terríveis de pensar, e fazendo mais e mais lavagens cerebrais, sustentarão seu discurso. Aí a clivagem e os embates contra os direitos civis também recrudescerão, e mais cair-se-á em descrédito.
Lastimo muito pelos que são presos à síndrome do umbigo de Adão e ficam completamente alheios à tradição litúrgica cristã(que foi fator fundamental para a tradição dogmática)e em nome da espontaneidade pura, racionalizada como "mover do Espírito", cai-se na mediocridade. E vulnerabiliza-se as pessoas para discursos que visam incutir dependência e viseiras para as pessoas comerem nas mãos dos macacos-chefes.
Triste, mas sempre terão aqueles que quando a tentação para se calar for maior, o coração arde.
Ola Eliel!
17 de novembro de 2009 20:41Estou passeando na net para conhecer blogs cristãos, saber o que o povo está buscando e falando... E para divulgar meu blog, o Fé, Razão e Graça.
Muito legal o trabalho que você está fazendo! Parabéns.
Vou seguir você e espero pela oportunidade daquela troca de irmão em Cristo aqui ou no meu blog, se você me der a honra e prazer da visita.
ferazaoegraca.blogspot.com
Fica com Deus!
Por mais que a igreja hoje tenha problemas, vc não pode questionar SE deve existir igreja.
19 de novembro de 2009 06:20Vc pode questionar no máximo COMO deve ser o culto, mas nunca SE deve haver cultos, há menos que não se importe em questionar também a autoridade das cartas de Paulo.
Estes estão claramente PREVISTOS e ORDENADOS em 1 Co 11-14 (especialmente 14), como também nas cartas pastorais.
É absolutamente necessário que o cristão congrege, pois é lá que ele vai compartilhar os dons. Veja, os dons do Espirito não foram dados para o deleite individual, mas para edificação CONJUNTA.
Há o momento de oração solitária, mas há o momento de oração conjunta. O que Jesus condenou foi a oração ostentosa só pra aparecer, mas não negou que se ore em grupo.
Reconheço que do modo como é feito hoje, nem vale a pena congregar. Mas se não está contente com o lugar que vc vai, porque não muda de igreja? É tão mais fácil do que aturar mulher com voz de bode!
Caro Eliel, na verdade concordo discordando de vc...
20 de novembro de 2009 12:50a grande maioria dos cultos evangélicos envolve as caracteristicas que vc citou acima, mas isso não é uma realidade total, muitos estão no momento de louvor por exemplo, cantando por ser exatamente a forma como elas se sentem referente a Deus, a seu proximo e etc...
mas um trecho me chamou atenção, o qual vc disse não se sentir bem no culto, honestamete amigo, isso é algo para ser profundamente analisado por vc mesmo, mas é estranho, ok discordar com a formula atual, mas o culto sempre transcorre conforme sua própria entrega...
me perdi aqui, ve se da pra tirar proveito de algo acima, mas a linha do que queria dizer me escapou e num vou enrolar...
Sou da Assembléia de Deus, me sinto bem nesta igreja, qdo vou a cultos de outras congregações acho diferente, gosto, mas muitas não me identifico.
28 de novembro de 2009 08:28Cada ministério tem seus diferenciais, respeito e acredito que deva ser assim , pois tudo que é igual torma-se perigoso, inibe a liberdade de pensamento, de adorar a Deus de acordo com o que vc é.
Mas quero me ater ao que vc falou sobre ir e não i na igreja, eu estudo para passar no vestibular de Medicina, e tenho aulas em tempo integral as vezes até fins de semana e neste fim de ano as provas impedem de estar an igreja sempre como na minha infância. E qdo apareço na igreja a primeira recepção é: "Está tudo bem irmã? MIlagre, apareceu, ou pior está em comunhão com Deus?
A igreja associa o seu relacionamento com Deus com presença na igreja, eu entendo pois é dificil fazer entendê-los que estou bem com Deus em qualquer lugar.
Eu abri mão de muitas atividades na igreja para lutar pelo meu objetivo, me sinto culpada as vezes, pq fui criada literalmente na igreja, de segunda a domingo, e fim de semana o dia inteiro. Sinto falta e pra compensar ouço muitas criticas,e gosto delas mas as vezes percebo que ao ser criticada pareço um numero.
Nesses ultimos anos ao ir no culto sem estar em um grupo, fazer um trabalho na igreja, ser mais ouvinte comecei a avaliar da mesma forma que vc, observar as reações das pessoas, a minha reação, parei de dar glória, aleluia por tudo que ouvia, pq muitas pessoas vão no embalo, um ser humano fala no púlbito da igreja que o Elvis era crente e que renegou a Deus e foi cantar pro mundo e por isso morreu e a igreja toda dá glória a Deus, é isso mesmo, tô cansada de ouvir isso nas pregações de congresso, fazem referencia a causos... E nós não analisamos se o que ele falou é verdade, e pior glorificar a Deus pela morte dos outros é horrivel.
Parei de ouvir e achar tudo bonito, passei a guardar aquilo que ouvi e reler em casa a biblia, pesquisar na internet, comecei a ser uma critica, infelizmente ou o culto para muitos é uma alienação ou é um aglomerado de dúvidas.
Acredito que adorar a Deus é como sentar e conversar com um amigo, tenho Deus como amigo, qdo ouço um hino e conheço a letra e acredito nela eu canto, qdo não analiso e pela biblia me comunico com DEus para analisar se o que está sendo dito é verdade.
Em relação ao inferno, depende de muitas igrejas, falar sobre inferno na minha igreja era muito comum, sobre juizo final, já chegaram a falar que os gafanhotos no apocalipse eram caças de guerra, aviões que iriam destruir a terra... vai saber.... nos ultimos anos começaram a falar mais de bençãos, vitórias e o inferno está mais associado ao diabo e suas artimanhas para impedir o crente de receber sua benção e levá-lo para o mundo.
Depende da época, hoje segue-se as influências do neopentencostal, prosperidade, e por incivel que pareça o diabo que estava relacionado com a usúra, hoje é ele que impede que ela exista, óbvio para o crente.
Mas nas pregações que ouço atualmente, pouco de fala sobre o inferno no apocalipse, será medo? pouco se fala sobre a vinda de Cristo, os hinos retrata bençãos, milagres... sei que as almas para crerem em Deus precisam de sinceridade e não de medo, mas muitos mostram apenas o lado bom, prospero da bíblia, e o que tiver de relacionado com o inferno, diabo é válido desde que ao ser derrotado tenha como resultado bençãos, e qdo essas almas veem para a igreja e pecebe que nem tudo é flores se decepcionam...
Sinto dúvidas qto ao culto do passado, me sentia muito obrigada a determinadas atitudes na igreja, acredito que apesar de hoje haver muitas influ~encias, há uma maior liberdade de escolha de como adorar a Deus. No entanto deve-se ater para o fato de que muita opção pode levar ao mundanismo na igreja, como vc disse dos hinos atuais, pode se considerar uma pseudoliberdade...
Brother, sábias e verdadeiras palavras. Bom seria se não fossemos chamados de "desviados" ou "rebeldes", "criadores de eresias", coisas do tipo. Mais a privatização da "igreja" tem afetado o estado natural de serem Cristo. Amar, acolher e criar pensadores.
15 de dezembro de 2009 07:58Ri muito durante a leitura, e como sou DDA, viajei bastante em idéias e conceitos, e agradeço por não se calar, porque esse bem só eu sei que voce me fez. Valeu. John Poeta.
Eliel...
4 de fevereiro de 2010 20:42Comecei a ler seu blog e gosto de muito o que tem lá. Tenho até orgulho de ver que existe um trabalho crítico no nosso meio.
Concordo com algumas coisas desse seu texto. Nasci num lar cristão e tararatarará e apesar disso sempre tive opiniões críticas em relação ao meio evangélico.
Meu projeto de graduação foi uma igreja evangélica , sou arquiteta e na época fui pesquisar sobre o culto cristão , ver suas relações com o templo,sobre a essência do culto,sobre os cristão primitivos etc... mas nao estou aqui par falar de mim, mas pra compartilhar de minha opiniao sobre o que vc escreveu
1º Acho que apesar da igreja nao esta relacionada com o templo e nem o culto com malabarismos, ela é o corpo de Cristo , e este é formado por gente e gente que tem que se reunir, discutir, conviver,servir,pq afinal de contas era isso que Jesus fazia, Ele se relacionava.
2º Acho importantíssimo termos uma visão crítica sobre o que muitas vezes acontece no culto e os tipos de "culto" que existem, porém sinceramente vi em suas palavras mais julgamento que uma crítica que de quem se preocupa, ou gostaria que essa realidade mudasse no meio evangélico. Posso estar nesse momento te julgando, mas peço que vc reflita que, ao estar num culto com uma visão crítica demais possa impedi-lo de ver que Deus atua e está presente naquele lugar, mesmo havendo várias pessoas imperfeitas como o irmão que olha pra bunda de alguém etc, afinal de contas Ele disse que onde estiverem 2 ou 3 reunidos em meu nome La estarei presente.
3º Eu estava um dia desses” metendo a lenha” num desses pastores que só pregam prosperidade etc e meu pai falou: calma, calma e olha que meu pai é muito crítico. E sem querer me estender no desenrrolar disso em minha alma só gostaria que vc pensasse que quando falamos mal da Igreja tal, dos evangélicos, etc etc, estam;os falando da igreja de Cristo e não cabe a nós julgar. Ao ler seu texto fiquei me questionando: “ se ele não consegue ver nada de bom, e que só raríssimos cultos têm boas pregações, que no louvor tem gente que berra ao seu ouvido, o que é que vc esta fazendo nessa igreja ? Vc vai tentar ajudar de alguma maneira q essa realidade mude lá ou vai apenas expor essa opinião pra um monte de gente que não convive contigo?
4º Pode crer que apoio muito do seu trabalho. Estava sendo fanzona sua, mas não queria vê-lo com alguém que de tanto criticar os evangélicos deixou de amá-los . Pq da mesma forma que vc olha pra um menino de rua que precisa de ajuda e quer se mover para transformar sua realidade, vc deveria olhar para um evangélico que vc acha que seja um iludido, um hipócrita cristãos.
Apoio totalmente a abertura de visão que vc propõe em seu blog. Acho que a igreja evangélica por anos se fechou e ainda se fecha para assuntos da humanidade. Afogados apenas numa visão celestial futura muitos nao conseguem viver o hoje na Terra e é esse um dos motivos da nossa inexpressiva influencia cultural nesse pais. E é por isso que quero que vc continue nos incomodando com suas reflexões e é por isso que me sinto a vontade de discordar tb de algumas de suas opiniões. Acho q o diálogo pode ajudar a mudar nossa realidade.
Um abraço,
Viviane Ferreira
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